Tirei a semana para pensar no nosso maltratado ofício de jornalista, o violento ofício de escrever, lembrando o jornalista e escritor argentino Rodolfo Walsh.
E pensando nele também pensei no magnífico conto “Duas palavras”, da escritora chilena Isabel Allende, publicado na coletânea “Contos de Eva Luna”. A história nos traz Belisa Crepusculário, uma mulher que ganha a vida vendendo palavras nos povoados por onde passa. A quem lhe compra o serviço, dá de presente duas palavras secretas: “Cada um recebia a sua, com a certeza de que ninguém mais a empregava para esse fim no universo inteiro e para além dele”.
É um conto que pode abrir algo como um Clube da Reportagem, assim como existe o Clube do Livro, para a gente se encontrar, ler e conversar sobre as grandes reportagens e como nelas o jornalista cavalga sobre as palavras selvagens.
Neste poder eu creio. Porque um dia ou ouvi as minhas duas palavras. E mudei a minha vida.
Imagem feita por IA

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