terça-feira, 19 de maio de 2026

Orelhões, me desculpem, não cheguei a tempo


Hoje, cavoucando em antigas edições do jornal O Estado, encontrei uma notícia de 1972 que anunciava a instalação dos primeiros orelhões em Florianópolis. 

Na hora me lembrei de matéria do jornalista Billy Culleton no portal Floripa Centro com o título 'Relíquias – Salvem os últimos dois ´orelhões´ da região central de Florianópolis".

No caminho para o trabalho, tentei localizar o túmulo do orelhão arrancado do canteiro central da Hercílio Luz uns dois anos atrás. 

Digo túmulo porque, depois que arranca, fica um hexágono com um triângulo no meio. O túmulo havia sumido.

Corri para a Rua Padre Miguelinho porque ali, ao lado do muro da Catedral, pouco mais de dois meses atrás, havia um espécime um tanto arruinado, mas de pé. Também desapareceu. Sobrou o túmulo. Não salvei uma única foto sequer daquele sobrevivente.

Às vezes me sinto como Jerry Fletcher, o personagem de Mel Gibson no filme “Teoria da Conspiração”. Ele vê coisas aparecendo e desaparecendo na cidade e parece que mais ninguém percebe. 

Um orelhão a menos, um prédio de 16 andares a mais, um naco de manguezal aterrado. 

Como diz a música do The Housemartins, it's build.

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