segunda-feira, 17 de novembro de 2025

COP30, Santa Catarina e os enfrentamentos reais



O evento ainda não terminou, mas, com a COP30, o que era ambiental na RIO92 agora virou climático. Jornalismo climático, justiça climática, emergência climática. Muito dinheiro vai jorrar para projetos que carregarem o "climático", como foi com o "ambiental" depois da RIO92. Eventos já pipocando, relatórios "climáticos" circulando, mas, analisando o caso de Santa Catarina, que conheço mais, falta dar "nome aos bois" responsáveis pela devastação das florestas, da água, do solo, articulando-se dentro do setor produtivo e suas entidades de classe, do governo, da Assembleia Legislativa, das prefeituras e câmaras. 

Senti essa falta no relatório "A terra pede cuidado: contribuições de Santa Catarina em Tempo de Emergência Climática - Relatório das Contribuições Autodeterminadas para ação climática", levado à COP30 pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC. Nas quase 70 páginas, não aparecem os sujeitos das ações nefastas apontadas. Como e contra quem lutar? Especialmente quando o relatório sai da Assembleia de onde partiram mudanças nefastas nos Códigos Ambiental e Florestal. 

Neste e em outros estudos, diante da falência da educação ambiental, aparecem agora a educação ambiental crítica e a educação climática, paráfrases para contornar a falência educacional. 

Não surpreende, no relatório, o fato de a comunicação ser citada em apenas dois parágrafos, mesmo sendo SC o estado com um dos piores cenários de mídia no país e a Alesc repassar milhares de reais ao ano para manter a rede Acaert e seu sistema pernicioso de comunicação. A maioria da população desconhece isso. 

Neste quadro, o relatório vira um desenrolar de falas importantes e cheias de boa intenção, mas sem expor os sujeitos das perversidades ambientais e climáticas. É sintomático que as palavras capitalismo e agronegócio aparecem apenas quatro vezes no texto. 

A partir de agora, com a palavra "climático" servindo, no discurso, para silenciar e apagar confrontos, gerando negócios a rodo, como ocorreu com o "ambiental", há que ficar de olho para perceber de onde e de quem virão os enfrentamentos reais.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Ensaio - Comunicação e Cidade: conflitos entre apropriação e dominação em Florianópolis (SC-Brasil)




Falta-nos uma lista atualizada da comunicação independente/contra-hegemônica em Santa Catarina. Cito algumas neste ensaio. As que estão a serviço das rebeldias do vivido no estado.

RESUMO:

A legitimação do turismo como “vocação natural” de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil, parte dela localizada na Ilha de Santa Catarina, move a produção da ideologia pelos grupos dominantes e consolidou o slogan “Ilha da Magia”. Em 1991, com a criação do mercado comum entre o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, a capital catarinense passou a ser divulgada pelo governo local como “A Capital Turística do Mercosul”. Florianópolis compõe uma porção litorânea cobiçada, tendo como destaque o município de Balneário Camboriú. Santa Catarina representa o estado com maior intensidade do fenômeno da verticalização urbana no período de 2000 a 2022, com incremento percentual de 13,19%, o maior do Brasil, sendo Balneário Camboriú a segunda cidade mais verticalizada do país (LUDWIG, 2025, p. 38).

Mas, de forma mais expressiva que Balneário Camboriú, do qual é distante 85 quilômetros, Florianópolis historicamente apresenta conflitos entre apropriação e dominação, deixando à mostra inúmeros processos de resistência dos quais os mais recentes são contra a chamada verticalização sob as palavras de ordem “VERTICALIZAÇÃO NÃO”.

Há uma série de outras lutas e movimentos que, desde os anos 1980, se organizam contra as drásticas mudanças no espaço urbano realizadas sob o manto da “vocação turística”, em especial nos embates envolvendo alterações no Plano Diretor do município, as mais recentes em 2014 e 2023. Os movimentos tiveram e têm contado essas lutas em materiais impressos e, em anos mais recentes, em sítios na internet e nas redes sociais. A trajetória de um expressivo conjunto de mídias independentes também visibiliza o enlace de veículos com as lutas dos movimentos.

Leia o ensaio completo aqui: https://www.itcidades.org.br/wp-content/uploads/2025/11/ENSAIO_COMUNICACAO_E_CIDADE.pdf

Direito ao jornalismo

O jornalismo tombou em Santa Catarina e todos os dias eu sofro duplamente por esse fato. A primeira, a falta que eu sinto do jornalismo; a s...