segunda-feira, 27 de junho de 2022

Assédio Institucional e Reforma Administrativa na pauta do jornalismo ambiental

 

Imagem: captura da tela do artigo no jornal Brasil de Fato

Meu artigo para o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (Fabico/UFRGS) publicado em 27/06/2022:

Artigo publicado no Brasil de Fato de autoria da juíza federal Cláudia Maria Dadico, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e da Associação Juízes para a Democracia (AJD), traz um tema relevante para a pauta do jornalismo ambiental: o Assédio Institucional. No artigo, em https://bit.ly/39ON9yR, a juíza aborda o assassinato do jornalista Dom Phillips e do servidor licenciado da Funai Bruno Pereira detalhando o processo que levou o servidor a realizar o trabalho na Vale do Javari sem uma estrutura de segurança e proteção institucionais pelo Estado.

O artigo cita a publicação “Assédio Institucional no Brasil: avanço do autoritarismo e desconstrução do Estado”, da Associação dos Funcionários do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Afipea) e da Universidade Estadual da Paraíba, em https://bit.ly/3NnJDcb, com 806 páginas, que aborda como se dá o processo de desconstrução do Estado nacional, suas organizações, institucionalidades, políticas e servidores públicos. Um dos artigos, assinado por Marcelo Mourão Motta Grossi e Rodrigo Augusto Lima de Medeiros, trata do Assédio Institucional e cerceamento no Ministério do Meio Ambiente no período entre 2019 e 2022. O problema que eles trazem é o seguinte: quais são os limites de atuação dos agentes públicos legitimados nas eleições de 2018 quanto às possibilidades de imposição de uma agenda política antiambiental dentro do órgão ambiental? Os autores mencionam que foram relatados 64 casos de assédio moral nos órgãos ambientais federais a partir de janeiro de 2019.


O tema tem relação direta com a chamada Reforma Administrativa prevista na Proposta de Emenda Constitucional 32, de 2020, cuja tramitação foi barrada pela mobilização do movimento sindical, mas pode a qualquer tempo ser apreciada na Câmara dos Deputados. Entre outras medidas, a proposta, se aprovada, irá ampliar as privatizações e terceirizações no serviço público, acabando com a estabilidade hoje garantida aos concursados.


A Folha de S. Paulo, em 8 de junho, publicou notícia intitulada “Número de servidores ambientais temporários explode sob Bolsonaro”, em https://bit.ly/3NBASM1, que aborda a precarização com dados: houve um salto de 564% no total de temporários nas autarquias ambientais (Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Jardim  Botânico do Rio de Janeiro). O jornal informa que tentou contato com o Ministério do Meio Ambiente sobre o assunto, mas não obteve resposta, o que tem sido a prática comum na gestão de Jair Bolsonaro.


O desvendamento da relação entre Assédio Institucional e Reforma Administrativa nos órgãos ambientais das instâncias estaduais e municipais é uma pauta relevante para veículos e jornalistas dedicados à cobertura sobre meio ambiente. Para viabilizá-la, pode haver uma articulação combinada de veículos de diferentes estados. Parafraseando a juíza federal Cláudia Maria Dadico no final de seu artigo, é uma tarefa onerosa, mas não impossível.


Originalmente publicado em https://bit.ly/3a0iuOP


 


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Lançado dossiê temático sobre potencialidades da mídia não hegemônica nas dinâmicas urbanas

Acaba de ser publicado o novo número da revista eletrônica criada e editada pelo Núcleo de Pesquisa Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tive a alegria de ser convidada pelo jornalista e doutor em Antropologia Social Dagoberto Bordin para participar da edição do dossiê temático “Potencialidades da mídia não hegemônica nas dinâmicas urbanas”. Parceria boa demais! Agradeço também à professora Alicia Norma González de Castells, editora chefe dos Cadernos, à equipe de editores, comissão editorial e equipe de diagramação e formatação, citadas no expediente do dossiê.
O conjunto de 11 artigos do dossiê é rico e diverso, e assino o artigo “A experiência urbana no jornalismo independente: entre conceitos e práticas”, no qual analiso, a partir de reflexões da antropologia urbana e da teoria da produção do espaço, textos do portal Floripa Centro, de Florianópolis (SC), tocado pelo jornalista Billy Culleton, e do Sul21, de Porto Alegre (RS).
Estou voltando à UFSC no Programa de Pós-Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, que aprovou meu projeto “A Rua no Jornalismo”, desenvolvido desde o ano passado de forma independente e agora pensado a partir do conhecimento da Antropologia Urbana, tendo como supervisora a professora Viviane Vedana, com quem fiz uma baita disciplina em 2018. Um “filho” do projeto é o “Hercílio Esquina Com”, pesquisa específica que envolve a cobertura jornalística tematizada pela Avenida Hercílio Luz, no centro de Florianópolis. Vai dar bom!

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Projeto Ambientalistas do Sul SC entrevista o biólogo e professor João de Deus Medeiros

Confira a entrevista em duas partes com o biólogo e professor do Departamento de Botânica da UFSC João de Deus Medeiros, doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (USP). Ele foi diretor do Departamento de Florestas e do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e coordenou a Federação de Entidades Ecologistas de Santa Catarina (FEEC), nascida em dezembro de 1988. João de Deus tem atuação destacada na Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) e na criação de Unidades de Conservação no estado de Santa Catarina. Ele fala sobre as principais lutas da FEEC em Florianópolis e no estado de Santa Catarina e as repercussões no país e conta como se deu a estruturação da política de meio ambiente do município de Florianópolis, incluindo a criação da Floram.

O vídeo faz parte do projeto "Ambientalistas do Sul – Memória e História", com entrevistas de ambientalistas que participaram da consolidação da temática na Região Sul do Brasil. O projeto é uma iniciativa da EcoAgência de Notícias Ambientais, com apoio do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) e do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (GPJA/UFRGS). A entrevista foi gravada no dia 12 de abril de 2022 em Florianópolis.

PARTE 1: 


PARTE 2:





A reportagem a pé sobre meio ambiente

 


Imagem: capa do livro no site da Blooks Livraria

O livro “Andar a Pé - Uma Obrigação Profissional” (Ibis Libris, 2021), coletânea de reportagens do jornalista Rogério Daflon, é alimento saboroso para quem trabalha com a pauta ambiental e concretiza, na prática profissional, a máxima de que lugar de jornalista é na rua. A obra, lançada em dezembro passado, reúne 45 textos de Daflon publicados em diferentes veículos, agrupando-os em cinco eixos temáticos: Moradia, Meio Ambiente, Uso e ocupação do solo e do espaço público, Obras e equipamentos públicos e Patrimônio arquitetônico e cultural. A iniciativa se viabilizou graças a uma vaquinha virtual realizada após a morte do jornalista, nove dias depois de ser atropelado por um motociclista no Rio de Janeiro em 2019. 

Dos sete textos do eixo temático Meio Ambiente, três compõem a série “Desleixo Insustentável” (jornal O Globo, março de 2012) e uma a série “Os Rios do Rio” (jornal O Globo, 2012). A última, de junho de 2019, é a entrevista derradeira de Daflon, para O Eco, abordando os impactos que o projeto – posteriormente retirado – de um autódromo provocaria na Floresta do Camboatá, remanescente de Mata Atlântica na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. 

Os textos trazem a marca do repórter que baixou ao chão, como nas entrevistas com moradores das margens de rios apodrecidos por esgoto para a série “Os Rios do Rio”. O “método Daflon”, conforme definem os colegas de trabalho em testemunhos publicados no livro, evoca os escritos de Anton Tchékhov reunidos em “Um bom par de sapatos e um caderno de anotações: como fazer uma reportagem” (Martins Fontes, 2007), com impressões e conselhos do contista russo que, em 1890, aos 30 anos, percorreu 12 mil quilômetros para conhecer a vida de deportados na Ilha de Sacarina. Uma extravagância, disse-lhe seu editor. Ele foi assim mesmo. 

Destacam-se, no eixo Uso e ocupação do solo e do espaço público, três reportagens. Em “Roubaram a praia do Vidigal” (Agência Pública, 2017), Daflon mostra como o Sheraton Grand Rio Hotel & Resort, no Leblon, se apossou do acesso à praia, restando aos moradores subir e descer uma escadaria de 141 degraus. Na reportagem “Os prédios que violaram o ‘skyline’ do Rio” (Agência Pública, 2017), o jornalista relata o processo de ocupação céu acima da capital fluminense. “Rogério trouxe a brilhante ideia de consideramos o skyline como um espaço público, tão passível de ser gozado pelos cidadãos como uma praça ou a própria praia (...)”, escreve a jornalista Natalia Viana, da Agência Pública, na abertura do conjunto de textos. 

Para as matérias, Daflon trazia a vida cotidiana, a singularidade do espaço geográfico e também o conhecimento acumulado na academia ao entrevistar professores e pesquisadores. Ele mesmo era um, tendo concluído mestrado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ com dissertação intitulada “Ribeirinhos urbanos: uma vida à margem do direito à moradia”. Em matéria para a Casa Fluminense (2014) sobre o conjunto habitacional popular Cruzada São Sebastião, no Leblon, menciona que passou os olhos por cerca de 100 reportagens sobre o lugar antes de passar alguns dias lá para produzir seu próprio texto. 

Por fim, cita-se a reportagem “Condomínio Laranjeiras: segregação, ameaça e processos em Paraty” (Agência Pública, 2017), que expõe a forma pela qual um empreendimento privado para milionários se apossou, nos anos 1970, de parte do que viria a ser o Parque Nacional da Serra da Bocaina. A reportagem traz à memória outra, “Histórias de uma aldeia visitada pelo medo”, feita pelo jornalista Marcos Faerman sobre o mesmo fato e publicada originalmente no Jornal da Tarde em abril de 1974, sendo depois selecionada para a coletânea “Com as mãos sujas de sangue”, podendo ser lida em https://bit.ly/3jY1vxZ (a partir da página 115 do livro). Com intervalo de quatro décadas, Faerman e Daflon revelam o início e a consolidação do assalto imobiliário do litoral brasileiro tendo como epicentro as cobiçadas praias fluminenses. E em ambos aparecem também os que continuamente lutam para não serem acossados do espaço pelos que perseguem apenas o lucro. 

Por isso, o olhar do jornalista que anda nas ruas e se apropria da plenitude do espaço geográfico e das vozes que vêm de suas profundezas, dando-lhes audibilidade e visibilidade, é efetivamente inovador da linguagem, portanto revolucionário.

Originalmente publicado em https://jornalismoemeioambiente.com/2022/04/25/a-reportagem-a-pe-sobre-meio-ambiente/

Projeto Ambientalistas do Sul SC entrevista o biólogo e servidor público Márcio Silva



Confira a entrevista com o biólogo, mestre em Botânica e estudante de Geografia Márcio Silva. Ele representou o movimento ambientalista do Sul do Brasil no Conselho Deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente - FNMA e no CONAMA, atuando ainda no Grupo Pau Campeche, na Associação Caeté: Cultura e Natureza e na Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses, a FEEC. Atualmente, integra o Observatório de Áreas Protegidas (OBSERVA) da UFSC, coordenado pelo geógrafo Orlando Ferreti, professor do Departamento de Geociências da Universidade. Márcio fala sobre as lutas na instância institucional e no movimento social e analisa, como servidor público na Câmara Municipal de Florianópolis, o papel do Legislativo na temática ambiental.

O vídeo faz parte do projeto "Ambientalistas do Sul – Memória e História", com entrevistas de ambientalistas que participaram da consolidação da temática na Região Sul do Brasil. O projeto é uma iniciativa da EcoAgência de Notícias Ambientais, com apoio do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) e do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (GPJA/UFRGS). A entrevista foi gravada no dia 2 de maio de 2022 em Florianópolis.

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

A Rua no Jornalismo com Marcos Mantovani

Em mais uma entrevista do Projeto “A Rua no Jornalismo”, converso com Marcos Mantovani, graduado em Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e mestre em Letras, Cultura e Regionalidade pela mesma universidade, com pesquisa sobre o escritor e jornalista Jack London. Autor de "Sala de Embarque" (Belas-Letras, 2011) - crônicas; "Borboleta Nua" (Quatrilho Editorial, 2013) - romance vencedor do Prêmio Vivita Cartier em 2014; “Clandestinidades” (Vírtua, 2020) - romance. Participou com artigo no livro "A Mulher na História da Literatura" (EDUCS, 2016) e com conto no livro "Não culpe o narrador" (Class, 2018). Foi cronista na Folha de Caxias (2013) e atualmente toca o projeto #CaxiasPlural

Seu trabalho envolve a escrita de textos e a prática da fotoetnografia em Caxias do Sul e em Porto Alegre. Os textos estão em https://www.behance.net/marcosmantovani1/ e em https://www.silvanatoazza.com.br

🎙️Na entrevista, ele fala sobre a fotoetnografia e a produção do projeto #CaxiasPlural, analisa como a experiência nas ruas de Porto Alegre e de Caxias do Sul aparece em seu trabalho e reflete sobre o espaço para essa forma de produção no jornalismo gaúcho hoje.

Confere!






quinta-feira, 7 de abril de 2022

A Rua no Jornalismo com Paulo Clóvis Schmitz

 

Em mais uma entrevista do Projeto “A Rua no Jornalismo”, converso com o jornalista Paulo Clóvis Schmitz, o PC, que trabalhou nos maiores jornais de Santa Catarina e também em revistas e tem experiência como repórter, colunista, editor, editorialista, cronista, assessor de imprensa e também escritor, além de ter atuado como professor de jornalismo. Entre seus livros está “Mercado Público e suas histórias” (2013), com o fotógrafo Danísio Silva, obra ampliada a partir da anterior, de 2007, com situações e personagens do mais emblemático lugar de encontro de Florianópolis.

Na entrevista, PC fala os sentidos que a rua tem para ele e em seu trabalho, analisa as transformações no espaço urbano de Florianópolis e a cobertura pela imprensa e avalia o atual cenário jornalístico da capital e do estado e as consequências para a produção de reportagens.

Alisamentos noticiosos e rugosidades dos grupos de mídia de Santa Catarina

O sumiço de notícias e reportagens dos portais noticiosos da mídia tradicional de Santa Catarina não é novidade. Escrevi sobre isso em algum...